Lembro que fiquei olhando para aquele cachorro, ou melhor, filhote, tentando achar um nome compatível, ele era magrinho, bem franzino, preto com branco, todo errado, primeiro filhote que eu tinha visto na vida que não era bonito e nem fofo, parecia um rascunho de cachorro (rascunho? pera, um bom nome, será rascunho, tá decidido)
O tempo foi passando, Rascunho foi crescendo, de um cachorro todo errado, foi ficando lindo e fofo, as mães que passam com seus filhos na frente de casa, sempre paravam para que seus filhos vissem o rascunho, e o rascunho parecia que gostava, ele ficava se exibindo para a platéia, e eu ficava rindo, era muito carisma para um cachorro tão pequeno..
Tentei ensinar vários truques para o rascunho, nem os mais simples ele aprendeu:
- rascunho, da a pata ( ele ficava me olhando )
- rascunho, pega a bolinha ( ele ficava me olhando )
- rascunho, pula ( ele ficava me olhando )
- rascunho, quer comida ? ( ficava pulando )
mas para não dizer que ele não aprendeu nem um truque, ele conseguia abrir o portão do galinheiro, a mesma que eu tinha dificuldades de abrir, ele comia todos os ovos das galinhas, e ele era um bom ator, pois quando era pego, ele fazia aquele olhar de vitima, e ninguém tinha coragem de fazer nada..
Anos e anos se passaram, muitas coisas mudaram, menos a fidelidade daquele cachorro, o auto grau de percepção que ele tinha, era incrível, parecia que ele lia minha mente, toda vez que eu não estava bem, ele ficava próximo a mim, cuidando de mim, o meu segurança, me protegia de mim mesmo, ( como? ) - me distraindo.
Hoje rascunho é velho, tem pouca visão, escuta mal e não tem mais aquela imperatividade, prefere fica mais na dele, de vez enquando socializa com os outros cachorros, leva uma vida de aposentado, digamos assim, depois de 12 anos cuidando de uma pessoa como eu, mais do que merecido, ele é o melhor cachorro que eu poderia ter:



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